domingo, 21 de julho de 2013

Alessandro e Monalissa


       Quase sempre não acreditamos na natureza boa do homem. A prudência com que o recebemos, as perguntas que fazemos a nós mesmos sobre o visitante ou  sobre todos os que nos são apresentados; a busca que nossos olhos empreendem sobre algum vestígio de moralidade ou traços de humanismo no outro, tudo conspira contra o novo, aquele que de alguma maneira estaria a entrar no nosso universo pessoal. Esse zelo faz parte de todas as relações humanas – entre os outros animais, basta um cheiro diferente. Agora, imaginemos como ficam os pisca-alertas dos pais com relação a quem se aproxima dos filhos . Das filhas, então, as luzes acompanham-se de sons de carro de bombeiros! No final, eles resolvem tudo , sem olhar sequer para nós...
Mona, você que não é afeita a ditames que não venham do coração, você que ama porque acredita e entrega-se tal  criança, que sempre buscou a felicidade de forma incondicional, tem o apoio de Deus e da sua família, sempre. Querida filha, custa-me crer que aquela menininha resultasse num ser tão determinado nessa busca. Você é encantadora, indobrável, inquebrantável, e quase indomável! Amo-a.
E você Alessandro, que chegou-nos tão devagarinho, tão educado e carinhoso, trazido pelos braços do seu cunhado Leonardo, nosso caçula, arrebatou-nos. Escondeu-se atrás desses olhos semicerrados  ,quando pensávamos estar você a dormir! Trouxe-nos  seus pais ,Edson e Cecília, as suas duas irmãs  Bruna e Suzana,  agora também filhas nossas. O amor do Edson por Cecília e dela por êle encheu-nos os olhos e devolveu-nos a esperança. Quando soubemos da decisão de vocês unirem-se, confesso que chorei um rio, com a certeza de que parte dessa relação de amor de seus pais existe em cada gesto seu. Que Deus os abençoe. Felicidade.
Beijos
João Marni, Fátima e família.

Crato, 20 de Julho de 2013( dia de muita alegria)

domingo, 19 de agosto de 2012


                                                                   ENZO 

         Seu avô paterno tinha então 29 anos quando, nos braços, recebeu seu pai, Leonardo, nosso caçula. Lembro-me que o beijei tanto que quase o desboto __ como beijei também seus tios Monalissa e David. Você, Enzo, começou bem, pois tem um avô beijoqueiro! No momento em que você chegou  o recebi vindo do berço materno ,e acolhi-o em meus braços trêmulos. A emoção é bem maior mesmo, e senti novamente pela sétima vez na minha vida algo sobre os meus ombros, como o roçar da asa de um anjo... O sétimo anjo! Deixamos para Deus, in útero, João, nosso 3º filho.
 Meu bebê, irei fuçá -lo tanto, farei tantas cócegas e piruetas à  espera somente do seu sorriso...O incentivarei a engatinhar e a por -se de pé. Quando caminhar por si, melhor ainda se Deus me escolhesse para seguir você sempre, como mais um anjo, o oitavo. Você não sofreria injúrias de ordem nenhuma, pois eu as absorveria. Na escola, sussurraria ao seu ouvido que especial atenção desse  aos professores e que convivesse com os colegas na medida e na liberdade com que gostaria você que lhes dispensassem. No esporte, que reconhecesse o talento dos demais sem inveja, mas vendo-os como modelos. Na juventude e adultície, faria com que  não se apegasse a coisas do homem, mas às coisas de Deus. Finalmente, depenado, pois tarefas assim não são fáceis, tomaria um banho de satisfação, pois teria cuidado de um Homem. Pois é, os filhos são como “petiscos” de Deus para os pais e, na vida, às vezes, nem tão gostosos! Já os netos... ah, os netos são os presentes! É quando de fato começa a festa e a orquestra já afinou os instrumentos, deixando os avós com aquela sensação boa na dança, a pedir bis várias vezes para que nunca acabe. Querem saber, valeu e tem valido a pena. Nos grandes encontros, pode-se ouvir a gargalhada  d’ELE. Éramos só você e eu, Fátima, pouco depois já somos tantos! Queridos netos Breno, Maria Alice e Enzo, com vocês estou desaprendendo a ser grande. Estou bem melhor e mais feliz hoje.  Obrigado. Vô e vó.

João Marni de Figueiredo
Crato, 09.08.2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Isabel e Paulo Ernesto.

É com muita alegria que lhes digo: eu os vi casando! Vi também neste São João, pingos de vela em águas incertas a unirem-se, formando suas silhuetas, e a nódoa de bananeira na faca, formando suas iniciais. Senti a felicidade em seus semblantes e nos dos parentes e amigos. A alegria é uma expressão da alma. É algo subjetivo, mas pode ser inferida pelo olhar, sua janela. A proposta que fizeram nessas juras que juraram, creiam, deixou Nosso Senhor mais alegre e confiante em todos nós, Ele lá esteve, na cerimônia e na festa, e dançou e brincou e comeu. Certamente saiu por último, pois criaram-se laços fortes entre vocês e Ele. Que tal presentear, mais ainda, a convidado tão especial? Pois que se amem sempre no respeito mútuo. Queridos Isabel e Paulo Ernesto, que seja essa festa tão demorada, que dela irão esbaldar-se todas as crianças das várias gerações que lhes sucederão. Beijos e Abraços, João Marni e Fátima. Crato- 23.06.2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Uma chuva de arroz: O casamento de Ana Estela e Vicente

Tinha que ser em junho!... Olha pro céu meu amor/veja como ele está lindo/olha praquele balão multicor que lá no céu vai sumindo!...Que momento, que alegria ,que festa Netinho e Aninha! Junho é o mês mais alegre do Brasil, acho .È de São João, retrata descontração, simplicidade ,e a inocência de um povo incansável em sua luta diária. Do Brasil , porque nordestino, cujos filhos arredios a fronteiras, amam a essa pátria como devem amar os filhos à sua mãe: por inteiro ! E ,por o amarmos tanto, sentimo-nos irmãos de tinta-sangue e, também , de coração por todos que por aqui aportam, nesse refúgio de Deus. Meu filho Netinho é uma das expressões do nosso chão, de onde brota ora como Lampião, ora que nem um Boneco de Olinda, ou ressurge-nos como o maior de todos, “um Tiradentes”! De sobra, enche nossos mundos com sua alegria, como quem possuísse sozinho sopro para tanto. Casa-se com um anjo que perdeu as asas, porém nunca o vínculo com a beleza , a bondade , a inteligência , a serenidade e a fidelidade de onde veio, nossa querida Ana Estela. Caríssimos amigos, por favor atentem para o fato de que ninguém sustenta uma relação , um consórcio amoroso sozinho. Não somos Atlas com o mundo às costas. É muito peso! Se somos mesmo a cara-metade do outro, que dividamos tudo, seja na alegria, na tristeza, na saúde ou na doença. Pessoa nenhuma é de fácil convivência,e compreender tamanha complexidade , ainda não nos foi permitido. Minimizar as diferenças e saber que as vontades, as picuinhas e as pequenas manias não são defeitos dos outros, mas coisas nossas também, já será um bom começo.,... Um dia referiu-se a mim meu grande amigo Huygens Garcia, que agora pluralizo: “ô filhos que não criei, e que por isso mesmo não me deram trabalho”, herdem de mim, também, parte deste coração que tanto os ama, aconselha, e exorta-os a ouvir e praticar as mensagens daquele que deu sentido e redirecionou o amor, Jesus. Nos tempos do hoje ,quando parte dos filósofos modernos ,os desconstrutivistas, sobretudo, anunciam a morte de Deus, que nossos planos e esperanças devam, doravante, imanar de nós mesmos( órfãos ficamos!)que nossos destinos foram entregues ao homem( a divinização do homem), é de um terror sem paralelo ou precedência! Viver e sonhar são relações que só ocorrem entre o homem e o Criador, longe da ilusão de nós mesmos, do devaneio que emerge das nossas profundezas sem cura. Claro, Deus continuará, Ele È. Sempre Foi. Vicente e Ana Estela, que o arroz em chuva sobre suas cabeças, hoje ,jamais saia de suas memórias. Continuem bons e generosos, ajudando às Eleanor Rigby da vida, antes mesmo que elas se curvem de tanto penar,catando as migalhas, sobras dos nossos excessos e da nossa indiferença para com o próximo. O legado será o de mãos buliçosas de hoje, a afagar os cabelos ,o rosto e mãos um do outro ,no futuro. O balão multicor são vocês dois ,rumo à felicidade em nova família constituída. Afinal," All we need is love"! Beijos e nossas bênçãos. João Marni ,Fatima e família. Crato,09-06.2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O casamento de Diana e Leonardo




Agora sim, vencemos. Casa-se hoje o nosso filho caçula. O horizonte verticalizou-se e descortinou-se. Chegamos. O último dos nossos maravilhosos filhos não mais ficará sozinho.  Parabéns para nós dois, Fátima. Obrigado. Quer casar comigo novamente?
Queridos Leo e Diana, a vida em comum oferece momentos marcantes como na música _ ... “É pau é pedra”.../...“Quero a alegria de um barco voltando”..., ou na poesia _ ...” E agora,  José” ?...
A verdade é que vocês têm que ter a confiança do Andarilho sobre as águas e a entrega d ’ Ele ao Senhor, sempre. A vida não é um abismo. É apenas uma estrada, longa e tortuosa. Assim, em momentos de dissabores, façam como dedo de topada: sarado, pedra esquecida, estrada passada.
O casamento é a consagração de um chamado, eco dos sons de dois corações. Entre desejos, a paixão cede o lugar para o amor - eis o pomar que exige dedicação e renúncia. Todo homem (e toda mulher) que compreender isso o mais rapidamente, colherá frutos inigualáveis. Terão quebrado o relógio da solteirice e trocado-o por uma aliança,  símbolo do compromisso firmado entre a terra e o céu. E não se deve desdenhar do que Deus abençoa, pois se um causar o adeus, certamente Ele não soltará a mão de nenhum.
Leonardo, você está vivendo a época de ouro da sua vida. Agora, é hora do homem revelar-se maduro e dizer para o que veio. Procure jamais errar a porta da sua casa, lugar sagrado da família, palco das maiores alegrias e também das grandes preocupações. Pelo jeito e pressa terão, você e Diana, muitas: filhos!
Que a vida seja de renovações constantes entre juras e perdões, e entre abraços e beijos. Sejam desapegados pelo que for material, mas não a ponto de lhes faltarem. Usem sim, de forma generosa e até esbangem no dia a dia, das palavras segundo o conceito do médico e escritor Moacyr Scliar: “As palavras servem para estabelecer laços entre as pessoas e para criar beleza – Pelo que a elas devemos ser eternamente gratos”. Respeitem-se. Façam um milhão de amigos.
Querido Leonardo, valorize a atividade profissional da sua esposa Diana (por sinal a mesma da sua brilhante mãe, Fátima), e a incentive sempre, estimulando-a a prosperar. No mínimo, ela saberá cuidar das feridas, sobretudo as do coração...
Querida Diana, eis aqui mais um peito amigo. Não precisa esconder suas tristezas, porque saberei encontrá-la e acalentá-la.  Use a cozinha para fazer as mamadeiras dos filhos (passada a fase da amamentação, claro) ou um lanche rápido. Não se detenha por muito tempo diante do fogão, como o fez minha pobre e sofrida mãe. Por outro lado, faça como ela, não procurando colecionar o que não irá usar, pois muitas mulheres descalças e andrajosas estarão à espera de um gesto seu. A caridade é a chave para o Grande Portão. Procure manter essa simpatia cativante e não se distancie de si própria jamais.Sejam intolerantes com a injustiça, não a permitindo nunca. Deus irá admirá-los muito, por isso.
É bom sempre lembrar que o maior legado que Ele nos concedeu foi a própria vida, seja a telúrica, bela e efêmera, mas principalmente a prometida  ao Seu lado. Todos os sonhos acabam-se, à exceção desse, não é mesmo? Isso é unanimidade até entre os incréus à hora da morte!
Pois é, vencermos aqui todas as suas etapas é o grande desafio, mas a conclusão sempre será a mesma: papai e mamãe tinham razão! Tudo renova-se na união com amor.
Sejamos gratos a Nosso Senhor, o grande “corta-jaca” de vocês dois e que apadrinha a esta completude, há tanto esperada e desejada. Que bom, nossa família ficou bem maior e melhor.

Com nossas bênçãos, beijos e abraços,
João Marni, Fátima, Monalissa, David, Tassiana, Breno e Maria Alice.  

Crato, 21.01.2012

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Meu cunhado Maurílo

A “menina dos olhos” de papai, como a considerava, encontrava-se numa tristeza de fazer dó! Vovó Olga, devagar e cuidadosa como quem caça onça, sussurrou muito próximo às lágrimas da neta Lôra: _ Chore não, minha filha, o namoro acabou, mas acho que você tem é sorte, pois êle não lhe merece; parece um pirata velho, tal qual o Barba Azul! Depois de alguns meses o namoro reatou. E vovó: _ É isso! Não sei como você não notou direito nesse rapaz maravilhoso, maduro, já feito na vida! Voltou Maurílo para ficar. Casou-se por amor, até porque à época, o sogro não era mais da moda na gangorra social, a ponto do futuro casal relacionar os convidados à luz de velas, na casa da noiva. Poucos dias depois, veio a cerimônia, e ouvi, num breve discurso, nosso pai dizer: _ Maurílo, cuida bem de Lôra, pois ela é a “menina dos meus olhos”!
Como tudo que é sensato, providencial e bonito vem mesmo é de Deus, ganhamos, a partir de então, mais um luzeiro em nossas vidas. Embora parecesse irascível, Maurílo foi um apaixonado, dedicado à esposa e aos filhos. Homem livre, bem sucedido, mostrava-se genuinamente irreverente, às vezes contundente; dono de humor fino, inteligente, com tiradas incomuns, hilariantes. Simpático, sempre verdadeiro, amealhou amigos, raros não simpatizantes, mas nenhum inimigo. Foi doce e brincalhão tal uma criança e, enquanto adulto, nos fez desejar sempre a sua presença, pois era estimulante, justo e, sobretudo, fiel às suas paixões: família, amigos, e a cidade do CRATO. Acho que posso transcrever um aforismo do filósofo escocês David Hume que cai como uma premonição antiga sobre o homem Maurílo: “Nós somos livres quando não estamos impedidos de fazer o que queremos, e quando não somos compelidos a fazer algo que não desejamos”.
Agora, na velhice jovem da terceira idade, voltou à doçura da infância, brincando muito com a sobrinha neta Maria Alice e passou a buscar a companhia de Jesus, sem saber-se doente, retornando a frequentar seus altares, inclusive convencendo e estimulando a seus amigos mais próximos que assim também procedessem, semanalmente fazendo passear entre suas mãos as pérolas de Nossa Senhora, no Terço dos Homens.
Corajoso, amante da vida, bagunçou a sequencia da reação humana diante da inexorabilidade do fim, não negando sua condição de doente, não barganhando histericamente, aceitando este peso com uma serenidade admirável e entregando-se ao Criador, cheio de confiança!
Atitudes que desmoralizam a muitos de nós, afeitos que somos a coisas do chão! Não é bom o apego a sonhos e projetos difíceis de execução. Todos são escritos na praia e a maré sempre vem... A dor é mesmo um território santo, onde pisam apenas os que amam de verdade. Creiam, Lôra, Maria Fernanda, Rodrigo e Maria Teresa, que todos nós do círculo familiar e demais amigos à nossa volta, comungamos do sofrimento da perda, mas nos encontramos unidos na fé, o que nos alegra muito. Não é que a vida seja breve. Maurílo viveu o suficiente, o seu momento, e marcou a todos nós de forma positiva. É que Deus ora espera, espera, e outras vezes revela-Se apressado em recolher o que é D’êle.

João Marni de Figueiredo
Crato, 10.09.2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Felicidade é...



Nem mesmo o pobre coração da gente saberia responder sobre essa coisa que inunda o nosso ser, aquieta nossas apreensões, normaliza-nos a pressão arterial, nos faz brandos como a brisa da manhã ou vigorosos como os ventos das noites de outono...

Momentos felizes existem sim, mas não sabemos por que fugazes como a própria vida (felicidade é a própria vida?!). Provavelmente para que não sejamos bobos, vazios, se permanentes fossem. Contrastam com os relógios, lentos demais quando sofremos. Apesar de tudo, quem sabe no despertar para o novo dia poderá advir a tal felicidade, alheia se estamos nos estertores dos anos findos ou se esbanjamos saúde? Que ninguém fique triste se o amor da sua vida fugiu feito um pássaro cativo seu ou se morreu. A terra é grande e há gente demais. Imaginem a felicidade tomando como exemplo a água: sem forma, sem cor, insípida e inodora. Faz um bem danado, mas sempre escorre entre nossos dedos. Animem-se! Subirá aos céus junto às nossas preces e descerá como chuva boa no sertão. Sempre. Aí, perguntando continuo: Por que coloriu Deus o mundo e nós o borramos de cinza? Você sabe? Eu não sei. Felicidade tem preço? Seria a dor o preço? Com os mais sinceros votos de felicidade, da felicidade do tamanho do bem que Nosso Senhor nos quer, um grande abraço  João Marni de Figueiredo.


18.08.2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ouroboros



Imune ao próprio veneno, do qual depende para alimentar-se, nunca pressurosa e sempre à sorrelfa, rastejando porque perdeu as pernas, morde.  Estive pensando em por qual razão N. Senhora pisa descalça a serpente e a subjuga. Decerto não tem mais medo. Se o teve foi antes, quando engravidou ainda adolescente, e dos olhos atravessados das pessoas. Concebida, zelou pelo fruto com o maior amor de uma mãe. São assim as mulheres, vivendo pelos filhos mesmo sem a reverberação dos seus corações, tratando-os pelo “Inho”: meu filhinho, meu amorzinho, meu inocentezinho... Não compreendo então porque esbarramos a todo o instante com gente estranha, de língua bífida, talhada assim no capricho pelas lâminas da inveja, da maledicência e da incompetência. Sangue ruim. Ainda bem que longe de generalizações. Imagino se nossa Venerada Descalça vacilasse na vigilância diuturna da gente: “a coisa” sairia por aí, mordendo a todos nós até que não existíssemos mais.  Por falta do que fazer, a rastejante se extinguiria também, começando a engolir-se pelo próprio rabo. As cobras bem que não merecem este comentário, mas todos sabemos que não é só em maio que andam juntas.  Um perigo!
O milagre é que podemos fazer nossas escolhas e há tantas a serem feitas, Ouroboros, na busca da tal felicidade... Prepararmo-nos para largarmos o couro, crescermos assim a cada estação, deixando para trás tantas coisas desnecessárias e que permitimos no dia a dia que colem na gente esses adornos horríveis que jamais serão moda no paraíso... Até parece que evoluímos no caminho certo, mas estamos mesmo é piorando à medida dos anos sem fim. Nunca nos contentamos, estamos sempre obedecendo à ordem do querer mais, olhando o quintal do vizinho e, à guisa de ajudar, o invadimos e o tomamos. Precisamos renovar a pele, buscando sempre novas amizades e evitando aquelas relações que já sabemos serem venenosas. Maravilhoso seria se imitássemos o comportamento das crianças, levando a vida menos a sério, esbanjando alegria e a inocência que nunca deveriam ter saído da gente.
A esperança talvez esteja na fortaleza dos corações amorosos e sensatos. Lá, não penetrarão as unhas e os olhos enormes dos muitos de nós. Mas onde estão?

João Marni de Figueiredo
28.05.2011

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dois anos sem a minha mãe.



Devia tê-la beijado mais, conversado mais, saído mais com ela; dado-lhe menos trabalho. Mãe, o amor in natura que assegura a perpetuação da espécie. 
Perde-la, causa vertigem existencial e a queda em seguida, rumo a profundezas abissais da alma. Saudade, mãe.

João Marni de Figueiredo
maio/2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um Bonsai de Casa



Pelo menos por três vezes, vi cada um deles: “O pai da noiva” e “ Casamento grego”. Comum aos dois filmes, a alegria em família e a camaradagem, especialmente a dedicação do genitor pela filha única.
Ao final, em ambos, uma festa espetacular de casamento. Hilariantes. No segundo fiquei mais emocionado, pois o velho grego tirou do envelope a certidão de compra de uma casa para o casal. Vizinha à deles! É o que seguramente faria, se pudesse. Moraríamos todos num condomínio em família. Alguém poderia argumentar que proximidades assim não dão certo, e tal... Mas acho que discordâncias e até confusões são melhores trabalhadas, entendidas e resolvidas em consangüinidade. Ainda não consegui essa que seria mais uma das minhas realizações; mas espere! Estou começando! Minha neta Maria Alice havia pedido a mim uma casa de bonecas. Num desses lances de pura sorte, nossos amigos Maurílo e Lôra iriam se desfazer de uma. Fiquei com o melhor que havia dos escombros, desmontada a casa com muito zêlo. Cuidei de escolher o local da construção no nosso jardim, após as discussões de praxe com a avó.
Estou de férias nos primeiros quinze dias do ano novo e a maior parte desse tempo vou dedicar à construção da casa de Maria Alice. Já comprei e instalei a “piscina” da sua morada quando aqui vier em folguedos, porque duvido que ela queira sair: Uma caixa d’água de 250l enterrada até próximo à borda. Seu novo endereço terá cerca de 6m² de um vão só, onde poderá brincar de dona de casa e de professora. Espero que repreenda bem seus bonecos quando esses não lhe obedecerem enquanto mãe de fantasia, e que grite quando seus alunos não estiverem atentos aos seus ensinamentos. Afinal, deixar rolar é dar oportunidade para o arrependimento, no choro depois, na casa grande.
Uma janela e porta na frente, com duas outras janelas, uma em cada lateral. Um luxo! Que cresça assim, feliz da vida, com tantos mimos. Caiu no terreiro certo. Que estude e seja gente grande e independente, e que lhe cause espanto e indignação o que os homens públicos fazem com as pessoas que moram em barracas improvisadas, de paus e lonas de plástico, negras feito os corações daqueles.
Que peça a Deus que me perdoe por esse excesso. É que amo muito a meus netos, presentes e futuros, e nada é caro para a visão do paraíso no sorriso deles. Deus é avô? Se for, estou perdoado.


Crato, 01.01.2011
João Marni de Figueiredo.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O 12 DE OUTUBRO

A esperteza e o oportunismo do homem para ganhar e acumular dinheiro são impressionantes. Dentre as várias maneiras conhecidas, uma é estabelecer datas comemorativas, a exemplo de 12 de Outubro, Dia da Criança. Por algumas horas ficamos com a impressão de que tudo transcorre às mil maravilhas com os baixinhos: uma festa! Na manhã do dia seguinte estarão fechadas as cortinas do grande teatro fictício e a vida nos revelará a realidade cruel: o descaso com a criançada, seja em sua educação escolar, em sua moradia sem saneamento e água potável ou na assistência de uma saúde pública sem qualidade e de difícil acesso. Poderão dizer os espertalhões que tudo se deve ao impacto da Revolução Industrial, que possibilitou a entrada da mulher no mercado de trabalho, alterando a forma da família cuidar e de educar seus filhos. Balela! O que falta mesmo é vontade e responsabilidade em políticas públicas, recursos com destinação correta e não em malas, meias e cuecas!...

Dada a ênfase da política macroeconômica atual, focalizada na realização de um elevado superávit primário para pagamento de juros, encargos e serviços da dívida externa brasileira, torna-se difícil acreditar que serão efetivados os investimentos e metas propostos.

De fachada, puro efeito cosmético, criou-se, dois anos após a aprovação da Constituição Federal de 1988, o “Estatuto da Criança e do Adolescente” (Lei 8069/90), onde o artigo 227 inseriu as crianças no mundo dos direitos humanos. Pelo art. 3º. eles devem ter assegurados os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, para que seja possível, desse modo, terem acesso às oportunidades de desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. Presumem-se os direitos ao afeto, o de brincar, o de conhecer e o de se expressar. São atores do próprio desenvolvimento. Mas tem funcionado? É o que temos observado? Não nos esqueçamos do número escandaloso de crianças que morrem devido a sede e a fome por políticas públicas equivocadas.

Não deveria haver ninguém que sofresse por falta do necessário. O atual pontífice, Bento XVI, bem resumiu, numa declaração, esta situação: “De todas essas crianças, eleva-se um grito de dor que interpela e sacode nossas consciências”. Crianças, as criaturas mais frágeis e indefesas e, dentre elas, as sofredoras, pedem a nossa atenção. Pequenos seres humanos que carregam já em seus corpos e mentes, conseqüências de atrocidades da irresponsabilidade de quem os deveria proteger. Feridos no corpo e na alma em conflitos armados, vítimas inocentes dos insensatos. Meninos e meninas de rua, menores profanados por pessoas inescrupulosas que violam a sua inocência, provocando-lhes seqüelas indeléveis. Diz-se que Deus não nos manda sofrimento sem enviar a força para suportá-lo. Mas não interferir, deixando uma criança à própria sorte, empenhada em tourear a fome, o frio, a dor e o medo, é de uma crueldade sem perdão.

Nada mais triste do que a visão de uma criança a perambular à toa, descalça, suja, com roupas puídas, faminta, chorando e sem norte. Damos-lhe as costas e seguimos em frente, afinal não batem os nossos DNAs. Ainda não percebemos que somos, cada um de nós, responsáveis diretos ou indiretos por suas mazelas. Esse ser exuberante de vida é a vergonha andante que experimentamos enquanto humanos, sombra de nós mesmos, consciência materializada das nossas omissões. O pior é que aquela criança poderá, no futuro, estar a nos esperar num sinal de trânsito do cruzamento da Rua da Esperança com a Rua da Solidariedade, num ajuste de contas dantesco entre a inocência desprezada e seu verdugo de outrora. ouvir-se-ão simultaneamente o som da batida do martelo de Deus e o do estampido de uma arma de fogo...



João Marni de Figueiredo,
do Instituto Cultural do Cariri
Crato-12 de outubro de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

Nosso Amigo Dr. Tarciso Pinheiro.




Agradeço a Deus por todos os dias da minha vida, principalmente pelos mais difíceis. É minha a vida. Ele deu-ma.
São uma benção os sentidos. O mínimo que devemos fazer é dar sentido também ao coração, maestro da alma, e bater no peito, dizer que esta bomba de sangue sempre identificou você, Tarciso, como a um bom amigo, colega exemplar, esposo apaixonado e pai bondoso. Filho e irmão querido, homem reto, urbano, amigo disputado por todos. Somos gratos por você em nossas vidas tal e qual um sol, uma lua, as estações e as mais lindas canções já concebidas. Creia, meu caro, que Deus se ocupa agora somente de você. Afinal, é no sofrimento que atingimos a excelência e vencemos o medo. Obrigado. Vamos procurar um rio ainda sem nome e batizá-lo com o seu, e iremos identificar seus olhos nas estrelas.


De coração,

João Marni, Fátima e descendentes.

Crato, 04. de Julho de 2010.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ATÉ DEUS CHOROU



Basta a visão de uma cachoeira ou da terra a partir do espaço, para imaginarmos um criador para tanta beleza. Aquele único olho azul no pano de fundo preto do firmamento, nos arrebata, nos encanta. O palco dos seres vivos, lugar privilegiado, talvez único em todo o universo. Não aconselho- nem  compactuo,- a quem quer que seja, atribuir a Deus as desgraças emanadas do próprio homem que, a exemplo de todos os viventes, encontra-se em evolução e, portanto, sujeito a imperfeições. Somos ainda capazes de realizarmos gestos e atitudes bipolares: ora extraordinariamente belos e agremiantes, solidários, ora brutais e desagregantes. Na nossa caminhada rumo à leitura do plano divino, acertamos e também erramos.
Recentemente, minha alma tumultuada passou por mais duas experiências marcantes: a primeira diz respeito ao resgate do garoto Kiki Joachin do terremoto do Haiti. Saiu dos escombros após dias soterrado, com um semblante de pura vitória da vida sobre a morte. Não havia medo em seus olhos, apenas alegria, euforia, apesar dos sinais da sede e da fome em seu corpinho frágil. Os gritos e as lágrimas dos bombeiros traduziram e transcreveram a correta interpretação dessa leitura do que Deus espera de todos nós. Foi tudo o que uma criança representou para humanidade, naquele momento: a solidariedade que deveria nos acordar todos os dias, sem que tivéssemos que passar por algum tipo de sofrimento ou provocação, pesadelo do nosso dia a dia.
O segundo episódio revela o quanto estamos longe na nossa busca. Alcides, jovem negro e filho de uma catadora de lixo no Recife, (ela teria outra condição se tivéssemos vergonha na cara e não elegêssemos quem não presta para nos governar), tirou o 1º. lugar na faculdade de biomedicina da Universidade Federal de Pernambuco, sem nunca haver visto um computador em sua escola pública. Amado por todos do campus da universidade, por ser símbolo de inclusão social e por seu largo sorriso e insuperável determinação. Era um resiliente. Mas foi abatido por assassinos, em sua casa pobre, comovendo todo o Brasil em pranto. Era ainda uma crisálida, deixando a humanidade órfã e envergonhada, sem saber das cores de suas asas em vôo por sobre os jardins da vida.
Quem sabe, um dia escreveremos que estas foram lembranças de um tempo pretérito, que já vai longe, e que a vida seja de fato tão bela como um sim, em meio a tantos nãos... Que não se configure só como um jogo de encontros aleatórios e improváveis, onde um fica com o maior pedaço, em detrimento do outro: como na fúrcula das aves (o osso da sorte), quando o disputamos. Que os vãos disfarces do homem, que tanto nos punge o coração, só ocorram em bailes de carnaval!
O homem é o único animal que chora. Talvez seja uma esperança. As minhas não costumo enxugar; deixo-as desabarem sobre o peito e depois que ganhem o chão. A vida nos foi dada para que a tornemos sempre mais bela e feliz para todos, pelo que precisamos urgentemente ser artífices e artistas deste projeto divino.

Crato, 11/02/2010
João Marni de Figueiredo(do ICC)
Nossa neta Maria Alice, de apenas dois anos e três meses, pela razões habituais - os pais trabalham, os avós também, e boas babás são raras e em
extinção, como as ararinhas azuis -, precisa ficar pelo menos um expediente na escola. Já sabemos o que acontecerá: gripes mais frequentes, sarna, varicela, piolhos, conjuntivite... E muitas orações para que não adquira coisas piores! Sim, porque há famílias que levam seus filhos doentes para o colégio,como se não tivessem nada com isso.

Passará a conviver com pessoinhas pequeninas que nem ela, porém com toda a expressividade de seus traços familiares, numa babel de comportamentos e costumes. Terá coleguinhas carinhosos e simpáticos, outros tanto tímidos ou tristonhos, haverá os egoístas que não partilham nada mas querem tudo, e alguns se mostrarão vorazes feitos formigas vermelhas, da roça, "cortadeiras", que deixarão marcas em seu espírito compassivo e em seu corpinho imaculado.
De certa forma, meio a contra gosto, entendo que, a exemplo dos animais que nascem já com o instinto de correr fugindo dos predadores (alguns têm até veneno!), precisamos desde cedo aprender rapidamente os
recados e lições da vida.

Maria Alice, esperamos que tenha a sorte de seus colegas tendo você como coleguinha e a felicidade de conviver com uma professora maternal,amiga, que sai de casa alegre e contente pela estrada afora, como
Chapeuzinho, que tenha capacidade de amar porque sabe ouvir a todos, de aconselhar, de saber compreender com sabedoria e afeto. Pois é sabido que um único grito pode encher o espaço (a sala) de medo, desfazendo o sorriso e a confiança dos pequeninos. A escuta e o trato com o coração, compôem um bom colo para uma criança se assentar...

Seja feliz, meu amor!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Maria Alice vai à escola!



Nossa neta Maria Alice, de apenas dois anos e três meses, pela razões habituais - os pais trabalham, os avós também, e boas babás são raras e em extinção como as ararinhas azuis -, precisa ficar pelo menos um expediente na escola. Já sabemos o que acontecerá: gripes mais frequentes, sarna, varicela, piolhos, conjuntivite... E muitas orações para que não adquira coisas piores! Sim, porque há famílias que levam seus filhos doentes para o colégio,como se não tivessem nada com isso.


Passará a conviver com pessoinhas pequeninas que nem ela, porém com toda a expressividade de seus traços familiares, numa babel de comportamentos e costumes. Terá coleguinhas carinhosos e simpáticos, outros tanto tímidos ou tristonhos, haverá os egoístas que não partilham nada mas querem tudo, e alguns se mostrarão vorazes feitos formigas vermelhas, da roça, "cortadeiras", que deixarão marcas em seu espírito compassivo e em seu corpinho imaculado. De certa forma, meio a contra gosto, entendo que, a exemplo dos animais que nascem já com o instinto de correr fugindo dos predadores (alguns têm até veneno!), precisamos desde cedo aprender rapidamente os recados e lições da vida.


Maria Alice, esperamos que tenha a sorte de seus colegas tendo você como coleguinha e a felicidade de conviver com uma professora maternal,amiga, que sai de casa alegre e contente pela estrada afora, como Chapeuzinho, que tenha capacidade de amar porque sabe ouvir a todos, de aconselhar, de saber compreender com sabedoria e afeto. Pois é sabido que um único grito pode encher o espaço (a sala) de medo, desfazendo o sorriso e a confiança dos pequeninos. A escuta e o trato com o coração, compõem um bom colo para uma criança se assentar...

Seja feliz, meu amor!

Vozinho João e Vozinha Fátima

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MOTOR TURBO 6.0, FUMAÇANDO

Lembro-me dos meus aniversários em que havia no bolo menos de uma dúzia de velas e dos gritos agudos em torno da mesa, repleta de irmãos e amigos, do sopro forte apagando-as de uma vez, com o parabéns.
fato meteórico: hoje seriam necessárias sessenta velas ocupando o cume do bolo, uma verdadeira favela de tantos dezembros... Por praticidade, porém, apenas duas - o seis e o zero - e não precisa entrar em apnéia de tanto soprar!

Aparentemente o tempo arrasta-se, mas é de


É chegada o momento em que o homem muda de fila e vê os umbrais da última fase da vida a convidá -lo para reflexões tantas, inclusive a coniência de que o vento deste sopro sobre as velas acaba de apagar sua juventude, num adeus ao pensamento da imortalidade e da inimputabilidade tão peculiar desse estágio. O que este cabelos
brancos me avisam e me pedem é que eu fique mais atento ás necessidades das
pessoas e que definitivamente eu quebre o espelho de Narciso. Magicamente, cruzando a lâmina dágua da cascata da vida, vislumbro agora a todos que não ajudei e que de alguama forma não soube compreender.
Peço-lhes perdão.





Propensa como é a mente humana a familiarizar-se com facilidade a qualquer mudança, desde que seja para melhor, sinto-me hoje muito à vontade e confiante para o que se convencionou chamar de terceira idade, pois afinal posso voltar a engatinhar, fazer caretas e mil piruetas sem que ninguém ache que enlouqueci, porque estarei a brincar com os netos... Quando lembro que sarampo, diarréia, remela, unha quebrada e cabeça raspada eram minha mazelas... Comparadas à minha saudade de papai e mamãe hoje, percebo que realmente a infância é a aurora da vida, com o barulho de asas em vôo ascendente num céu azul.





Dos sessenta anos de agora, quarenta têm sido com Fátima, desde fevereiro de 1969, com todos os humores da vida. Sinto-me responsável por cada cabelo branco dela porque contribuí para tingi-los assim. Ou de fato só o tempo é que nos desbota a todos numa nova aquarela? Nesta moldura vê-se cristalinamente que vossos olhares estavam convictos que seríamos mesmo um do outros: ''... esse seu olhar, quando encontra o meu... doce é sonhar e pensar que você gosta de mim e eu de você...''

O outono da vida é a idade em que deixamos de ser jovem. Já não tenho que agradar a todos, só àqueles que realmente me importam: a família e amigos de verdade, catados e cativados ao longo dos anos. Entro agora na ''prorrogação'' da vida, torcendo que o ''gol de ouro " demore a sair! Amanhã, posso até ficar cego, mas já tenho a minha paisagem na memória: vocês, o céu, morros e matas da cidade do Crato. Ao fundo, o arco-íris da minha remota infância.





Abrindo esta nova cortina, sinto que terei que ser bom, melhor e deliciosamente melhor, para que minha família e as pessoas em geral gostem de mim e que Deus venha a me querer. No meu julgamento, que meu coração não pese tanto e que o pai também tenha lapsos de memória!... Se perguntado pudesse eu viver minha vida novamente, diria que a viveria como vivi, podando alguns excessos, mas não todos os meus erros, afinal foram também eles que me compuseram e me trouxeram até aqui.




Concluo afirmando que hoje, nova etapa, sou um homem feliz e sex... sexagenário!

Crato, 21.12.2009

João Marni de Figueiredo

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

MAIS UM FILHO QUE SE CASA.



David e Tassiana, vocês vêm tecendo juntos a memória dos dois ao longo desses anos, num tecido de linho branco, munidos de paixão, amor e amizade. Esperamos que a ponta do fio continue a escrever essa história bonita até que todos os nus vistam-se com dignidade.
Perguntamos a Deus por que tamanha pressa em casar depois de doze anos de namoro?Precisam avaliar melhor os riscos de desentendimentos, a começar se não chegar em casa o homem à hora costumeira, ainda mais sem o pão, ou pela comidinha queimada que a mulher esqueceu no fogão após horas à frente do espelho! Que movimentem-se não de uma incerteza para outra, mas com a convicção de que existe um traçado superior para nossas vidas, e que determina nossos passos. No final, ficará apenas o trajeto das nossas almas em prol das pessoas e a saudade da juventude. O amor de vocês não está estreando, não é como a primeira página em branco de um livro, pois tem já várias gerações, e Deus apela àqueles que amam, que façam ninho e procriem.
Sentencia que nunca mais pensem separadamente e que seus filhos condicionarão suas vidas, sendo isto tão verdadeiro quanto as estações do tempo. Hoje consagram a união em público porque em particular já o fizeram perante Ele desde aquele dia, David, em que Tatá sorriu para você pela primeira vez, revelando covinhas em suas bochechas adolescentes.
David, de olhos cândidos, de azul celeste, e Tassiana com os seus, esses olhinhos de jaboticaba: negros e doces. Que casal lindo, de sorrisos francos, largos e acolhedores, vocês que são incapazes de fazer mal a alguém ou a qualquer ser vivo não humano, não tenham medo mas saibam que a dor virá de algum modo, como um desafio, para que só os bravos e os sofridos possam abrir o Grande Portão como quem chega em casa!
Na cerimônia das alianças, lembrem-se que o compromisso primeiro é com o próprio Deus, pois vocês são meros figurantes da festa. Festejem e festejem muito, pois Ele estará muito mais exultante e feliz do que todos nós e, enquanto jogam arroz os convidados, do ALTO cairão bênçãos e mais bênçãos.
Tassiana, você é uma filha que não tivemos e que por isso mesmo não nos deu trabalho; não a vimos correndo pelos nossos corredores, mas a queremos como tal e qual. Pedimos-lhes que fiquem atentos para que não criem filhos arrogantes ou filhas submissas, mas que tenham a disciplina necessária da paciência e do amor de vocês, com a graça e o perdão perenes de Jesus, pois certamente assim não recorrerão eles à felicidade volátil e vã das drogas.
Cici e Beta, obrigado por essas crianças lindas e boas em nossas vidas: Tassiana, Tales e Tiago. Saibam que Deus retribuirá a todos nós com netos barulhentos!
David, Tassiana é sua companheira sonhada e encontrada. Cuida bem dela. Com nosso mais longo abraço, abençoamos-lhes!

Seus Pais e irmãos.

João Marni de Figueiredo
15/08/2009

quinta-feira, 30 de julho de 2009

CRÔNICA DE OLIVAL HONOR - PAPO ENTRE DOIS AMIGOS

Quase todos os cronistas da Rádio Educadora têm curso superior. Quando se encontram para bate-papo, têm por diretriz um pensamento clássico de Berthold Brecth, meio pernóstico ou gabola, mas a rigor verdadeiro, que define as pessoas em três categorias, quando conversando: as inteligentes, que falam de idéias; as pessoas comuns, que falam de coisas; e as pessoas medíocres, que falam de pessoas. As medíocres por falta de assunto, comentam a vida alheia, mentem, caluniam, detratam, - são as conhecidas e famosas faladeiras ou fuxiqueiras, categorias na qual o Ceará é campeão brasileiro e tem o Crato como vencedor “hors-concours” de todos os certames estaduais.
Pois foi em um desses bate-papos que pedi ao meu grande amigo, Dr. João Marni de Figueiredo, conhecido pediatra de nossa cidade, o qual é também formado em Psicologia pela Universidade Federal de Pernambuco, que me dissesse de onde vem a paixão,- por que as pessoas se apaixonam, algumas por um ideal, outras por objetos, tantas outras por animais e outras ainda, misteriosa e irracionalmente, por outras pessoas. Ele não respondeu imediatamente, mas entregou-me sua resposta seriamente escrita e de forma tão elegante e rica, que resolvi publicá-la hoje, enriquecendo esta crônica com seus conceitos.
Define assim o Dr. João Marni a origem da paixão:
“ A paixão vem de regiões escondidas da nossa alma, dos mares bravios de lá, surge de forma súbita arrebatadora feito uma doença incontrolável: sem limites, sem regras, sem remédio. É capaz de invadir, prender e matar, como um tirano. Para em seguida desatar os nós dos laços, saindo em busca de outros chamados, de onde rouba o sono e a fome. O amor...ah! , o amor é brando, paciente, contemplativo e capaz de sofrer em silêncio, querer bem sem ser correspondido; é fiel, gosta de prender-se a um aconchego, a um cafuné. Tem juízo e vem do coração do Mar da Tranqüilidade. A paixão aproxima, é chama ardente, é verão. O amor une, gruda, é fogo brando em permanente primavera.
A paixão é o hoje, é terra de ninguém, “non sense”. Alimenta-se de cartas românticas.O amor é o hoje e o amanhã e alimenta-se da verdade.
A paixão prende e procria, o amor liberta e perpetua.
Mas acredite: - quem criou um, criou o outro”!

29.07.2009

GRATIDÃO



Lembrança maior, água fria não gelada que me acordou esperto e sereno no dia seguinte que já se anunciava, a batalha do meu jovem e querido Dr. Cícero e do corpo de enfermagem do Hospital São Francisco, da Companhia de Bombeiros, todos anjos vivos do Crato. Vi, guardando distancia e respeito por eles, os esforços de cada um na luta contra Tânatus a devolver ao copo cansado, o espírito solto e feliz da minha mãe Maria Olga. Ao final, como sofrem todos os médicos e paramédicos convocados por Deus, deixaram, com seus suores e minhas lágrimas em especial, marcas no vestidinho simples dela, borrando-o e ao meu coração.
Muito obrigado a todos e que Deus os abençoe.

Ambulatório do H.S.F
João Marni de Figueiredo



Quando eu perceber que o fim se avizinha (futuro, primo do presente), recolher-me-ei ao leito, exigirei silêncio, lençóis brancos e cheirosos, uma janela pela qual deverão vagar meus olhos e por onde revelarei o que fiz de bom e de ruim. Não escreverei mais nada, acharei até os meus melhores amigos uns chatos, serei tolerante apenas com os meus netos, pois estes não irão interromper minha conversa com Deus.

João Marni de Figueiredo.

LEONARDO

Meu caçula, meu último, meu menorzinho, que saudade de você... Como gostaria que Deus me fizesse sofrer mais, desde que menos a você. Todos os dias, ao amanhecer, quando ponho os pés no chão, lembro logo de você: onde está, se dormiu, se está feliz... O vento sopra forte demais à minha volta, arrancando, tirando de mim os meus portos. Mas preciso seguir em frente agarrando-me às lembranças, aos bons momentos, nos primeiros aniversários. Fico lá, no seu berço, no seu cantinho, todas as vezes em que este futuro, que é rápido, me incomoda no presente, que é mais rápido e agora. É isso. É triste e necessário. É a vida, é a roda, o moinho, a mesmíssima estrada. Léo, não esqueço do seu sorriso, do seu cheiro. Obrigado. Não demore. E parabéns, meu doutor.

Painho – 03/2009.

Minha Fátima.



Que bonito amor, que em meio a tantas nuvens, me oferece um “céu de brigadeiro”!
Que bonito amor dá-me maior amor do que posso merecer e pelo qual padecerei
sem conseguir pagar...
Que bonito amor, abrangente como deve ser o amor, tecendo correntes com as mãos e com o coração, cruzando pontes entre parentes e amigos outros, agradando a todos gratuita e desinteressadamente.
Que bonito amor é o seu, meu amor, só comparando ao de mãe!
Eu te amo, minha eterna namorada, mãe de três privilegiados, avó sabe Deus de quantos adiante, amiga e solidária de incontáveis pessoas anônimas!
Deus a abençoe!

João Marni de Figueiredo.

VELHICE



Pouco importa venha-me a velhice.
Que é a velhice?
Meus ombros suportam o mundo.
Quem é Atlas?
O mundo não precisa mais que a mão de uma criança.
Não adianta morrer. A vida é uma ordem.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.
O presente é tão grande,
Não nos afastemos muito,
Vamos de mãos dadas...

(Adaptado das poesias “Os ombros suportam o mundo” e “Mãos dadas”, de Carlos Drumond de Andrade).

MEDITAÇÕES

Vida – Sobreviver e reproduzir é condição darwiniana. Perpetuar é divino!

Relatividade – Partiste. Na volta, porém, ninguém aqui de ti!

Roendo as unhas – Criou o que não deveria ter criado; como perfeito é, não pode arrepender-SE!

Infinitude - Os sonhos da infância.
A força e a coragem da juventude!...
Traição e humilhação...
Injustiça e condenação.
A dor, a extremada dor.
O calor, a sede.
O medo.
O perdão.
A entrega
Jesus.

Finitude – O impacto e a dor, os círculos e a certeza!
Assim é o nascer.
Assim é o morrer.
Como uma pedra atirada num lago!


Fênix – O pai que volta;
o choro da mãe;
a culpa e o perdão;
o desespero e a esperança;
a noite e o dia;
o sorriso da criança;
fim da agonia!

Obediência - Observando hoje os pássaros ao final da tarde, à hora do recolhimento, percebi como são obedientes à natureza. Sinto-me irresponsavelmente fora dela.



Amor de esposa – Fátima, meu amor, perguntei a Jesus Cristo sobre o sofrimento dele, sobre as cinco chagas, como as suportou; com o rosto sereno e a mão valorizando o indicador, respondeu: “Para que você não seja a sexta... ou sábado...” Te amo!


Inspiração (coisas do coração) – Sei que não há nada mais arredio, ciumento, desalmado, vaidoso, belo e verdadeiro do que o coração meu. Quando fala sozinho, é tão bonito que nem sei... É capaz de alçar vôos longínquos e depois voltar; de falar sobre o céu e o inferno. Mas se alguém o perturbar além de mim, foge em silêncio. Como hoje.


Paixão – Tive sorte de tê-la conhecido no começo de minha vida. Tenho a certeza de recomeçar com ela hoje e sempre, se preciso for.


Minha Maria Alice – Nem nasceu ainda e já és uma pequena rainha. Sabemos, majestade, com todo o respeito, de tuas pernas longas e de tua beleza, antes mesmo de vires ao nosso mundo e que serão teus, só teus nossos ansiosos corações.


Promessa – Derramarei meus motivos em lagrimas. Na verdade, venhas como vieres, Deus é “louco” por ti, também. Rogo a Ele, Nosso Senhor, que venha a escutar teu primeiro choro. Prometo-te que nos outros que certamente virão em tua vida, não serei culpado por nenhum deles, mas que chorarei contigo por todos eles. Um beijo e um abraço do teu avô.

segunda-feira, 16 de março de 2009

MULHER, MAMÃE...



DE QUE SERVEM OS MÚSCULOS DO HERÓI,
SE A CORAGEM EMANA DA HEROÍNA?
HÁ, NO INDICATIVO DE DEUS, MULHER,
ORDEM PARA QUE SUPORTES A DOR
E QUE FAÇAS, DO SACRIFÍCIO E DO AMOR,
BROTAREM AS MAIS LINDAS E MELHORES JURAS.
COMO RECONHECIMENTO,
ENCHEU A TI DE BELEZA, DE LEITE, DE CORAGEM
E DE UM AMOR TÃO PROFUNDO
PARA QUE O RASO HOMEM
JAMAIS PUDESSE ENTENDER
A TUA REAL DIMENSÃO.
MAMÃE, IMAGINO AS TUAS NOITES DENSAS,
MUITO DENSAS, QUANDO SIMPLESMENTE
TE OFERECIAS A JESUS POR NÓS, TEU FILHOS.
ESTE PROFUNDO SENTIMENTO INTERIOR,
NA ÂNSIA POR ELE,
CERTAMENTE ALIVIOU A TODOS NÓS.
TU ÉS O FIEL DEPOSITÁRIO DE DEUS.
A TI, O MEU RESPEITO E, COM O TEU PERDÃO,
PELO MEU DESRESPEITO O CASTIGO
POR TANTAS VEZES NÃO TER OBEDECIDO A TI...
PARADOXALMENTE, É HORA DE COMEMORARMOS.
AFINAL, AO LONGO DE TUA VIDA, MÃE,
NEM SEMPRE PREVALECERAM AS LÁGRIMAS.
COM O NOSSO ABRAÇO, EM CORRENTE,
NÓS QUE, A EXEMPLO DE TODOS OS FILHOS
E QUE DAMOS TRABALHO AOS PAIS,
PERCEBEMOS AGORA QUANTO DEUS TE AMA,
POIS, GUARDADAS AS RESPEITOSAS PROPORÇÕES,
SOFRESTE MUITO MENOS QUE NOSSA SENHORA,
POR NÃO TERES SEPULTADO A NENHUM DE NÓS,
OS TEUS OITO ANÕES.
TEU CORAÇÃO CONTINUARÁ

A PULSAR NOS NOSSOS, NOS TEMPOS DO HOJE E

DO AMANHÃ.


TE AMAMOS.


08.03.2009
João Marni e Irmãos.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

SOBRE A SÍNDROME DO NINHO VAZIO


Outro dia presenciei o momento de desespero de um sábia, quando pousou e não encontrou mais os filhotes. Com o bico cheio, tal mãe com os peitos repletos, voou para lá e para cá, como quem perde o juízo. Assim, esquecidas de si, ficam todas as mães quando desaparecem os filhos nessa vida louca!...
Perda implica em ausência, sumiço do bem querer, mesmo que não seja para sempre, mas que nos faz solitários.
Quando iniciamos uma família, o primogênito ganha o título nobre de príncipe ou princesa, não é uma questão de classe social: todos nós assim nos comportamos. Com o tempo, logo vêm os irmãos, filhos de iguais títulos. E não importa quantos deles tenhamos. Num certo dia, num desses dias que chegam para os pais que amam – pois para os que não amam jamais chegam – a casa amanhece num silêncio perturbador, sem seus gritos ou o som de suas quedas e o de objetos que eles mudam de lugar e de forma! Então passamos a ouvir o barulho de fantasmas no piso que estala, na janela que não foi devidamente fechada, do vento no telhado, da conversa do vizinho e, se temos um cachorro, do uivo lamuriento dele. Assim sentimos quando saem os filhos, um a um, para estudar longe e, quando adultos, dividem entre as famílias constituídas, o Natal e o Ano Novo. É justo, justíssimo! Mas somos chorões demais e nunca nos preparamos. Compreendemos. Mas sofremos. Fazer o quê, se somos sabiás com os bicos cheios? Então é chorar mesmo, voar, derramar nossas lágrimas em dois pequenos cálices, tentar ignorar a saudade, brindar à alegria deles, (pois é nossa), e, num gole só, no xis dos nossos antebraços, agradecermos a Deus por ainda os termos.
A propósito, você está cada vez mais linda, Fátima. Os fogos e o estouro de champanhe que ouvimos agora ao longe, são para nós dois também! Feliz Ano novo! Feliz Ano Novo para todos!


31.12.2008
João Marni de Figueiredo

DO PECADOR PARA O SANTO




Como é complexa, diversificada e única, a imprevisível personalidade do gênero humano! Na busca da felicidade no horizonte perdido de cada um, há os que se socorrem do próprio isolamento a meditar; há aqueles que pensam consegui-la apenas se fizer fortuna; os altruístas e empáticos parecem tê-la; os caridosos e humildes como São Francisco, tudo indica possuí-la; os que se dedicam ao conhecimento (seja da matéria ou da alma), asseguram que é possível obtê-la. Há quem a veja numa rosa, num dia chuvoso no Nordeste do Brasil, num dia de sol na sombria Londres, na reconciliação do amor ou ao final de mais uma guerra. Mas os dias do hoje escondem este sentimento de tal modo que o sonho de ser feliz, direito de todos, torna-se cada vez mais utópico, razão pela qual se explique em parte o uso indiscriminado de drogas, inclusive, de forma alarmante, entre os muito jovens. Observamos corriqueiramente garotos e garotas de pouca idade para qualquer coisa que não seja dar recado ou brincar de boneca, em festinhas de “som de bate estaca”, desacompanhados de um anjo adulto da família, a tomar porres de variações do álcool, com conseqüências imprevisíveis.
Temos um neto de quase 14 anos, “BBB” (Breno, Bom e Bonito) e o monitoramos de perto sempre que podemos. Nossas conversas são francas e abertas, para que esse monitoramento não exija nossa presença física ostensivamente, na tentativa de contribuir na organização de um superego razoável e sensato, que nos liberte de tanta preocupação.
Orientá-lo para que não ceda à força do grupo de sua idade em assuntos “perigosos” é uma tarefa do dia a dia, já que eles, nessa fase, imitam instintivamente e querem emoções novas que os levem logo à vida adulta, lugar em que julgam coexistirem irmanadas, liberdade e felicidade. Sobre a ilusão de encontrar alegria e auto-confiaça com ajuda de bebida alcoólica ou de outras drogas ditas mais conflitantes, disse-lhe que é a saída dos fúteis e pouco inteligentes, e que cada indivíduo reage diferentemente a elas, pois todos nós carregamos na mente os animais com os quais nos identificamos:
- Alguns liberam pássaros (ficam cantantes, sinfônicos, até);
- Outros deixam sair cães tipo poodles ou labradores (só diversão)
- Há os que soltam lagartixas e lagartos (palavras vãs, palavrões);
- Há aqueles que se livram de macacos (e haja palhaçada) ou de porcos (quando então perdem o estilo);
- Infelizmente existem os que também nos brindam com cascavéis e pittbuls (e aí é pura dinamite: quando não matam, machucam demais);
Mas se você liberasse apenas pombas brancas, daquelas da Paz de Jesus após tomar vinho com seus amigos apóstolos, então prometo acompanhá-lo em suas “bicadas”! O ideal é não iniciar, pois todos esses bichos podem pertencer a um só indivíduo, que os vai soltando um a um em dias incertos, seguindo ou não a ordem que citei.
Procure, meu neto, a felicidade no coração de quem de fato queira o seu bem.
Com certeza ela lá se encontra se você acreditar. Afinal, nenhum de nós que amamos a você, deseja-lhe a outra face dessa utopia.


Um beijo do seu Vozinho.
Feliz Ano Novo!

31.12.2008
Dr. João Marni de Figueiredo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

AMOR VIRTUAL


De tanto ouvir sobre tragédias nos noticiários, fruto de encontros ora do acaso, ora de forma premeditada, envolvendo pessoas inocentes e bandidos, refleti que isso sempre ocorreu, sabe-se lá desde quando; hoje certamente em maior escala e riscos.

A tecnologia vem contribuindo, seja pelo telefone celular ou pelo computador, para esses contatos entre pessoas, muitas vezes envolvendo crianças, e também casais virtuais, sem que os personagens troquem olhares ou sintam o perfume do outro, - dirá o ferormônio, deixando de lado a visão de um certo jeito de andar... Ai veio-me a lembrança de tempos não tão distantes, da prática interiorana na busca pela cara-metade reservada nos altares de Deus, dos sonhos de cada um. Os encontros aconteciam também em qualquer lugar mas, muito freqüentemente, nas praças. A Siqueira campos, aos domingos à noite, era o grande palco onde as garotas passeavam num rito austero e delicado, nunca sozinhas, mas em pequenos grupos, de braços, limpas e cheirosas, em seus vestidos bonitos e pouco insinuantes, repetidos com choro e não menos espetaculares. Desfilavam contornando a praça para uma platéia de marmanjos que ficava à margem, aparentemente alheias a eles em seus segredos. Vez ou outra os olhares se cruzavam furtivamente, deixando alguma dúvida que só seria revelada no giro seguinte.

Confirmado pelo olho no olho, o coração dispara e as pernas – pelo menos as minhas, fraquejavam diante da próxima etapa do passeio, quando lá vem a todo-poderosa, e o homem deixa de ser menino, dirigindo-se à pretendida sem medo de uma “rabissaca”, ou de um “corte”, roubando-a de seu grupo e convidando-a a sentar-se em um dos bancos, no centro daquele carrossel de ilusões, de encanto, de paixões e de decepções... Ainda ouço os risos e os incentivos dos amigos que continuavam a tentar a sorte...
Dali, relações afetuosas se formavam e vingavam, como foram as do meu pai e da minha mãe, e de muitos outros que, como eu, são românticos e nostálgicos e só acreditamos, a exemplo de São Tomé, após termos visto,tocando e cheirado! Talvez a única vantagem de agora é que os pais não precisam mais entrar em casa na ponta dos pés a fim de surpreenderem o namoro dos filhos ou dos netos, pois através da telinha do computador não se escutam as juras de amor, mas apenas o barulho discreto do teclado tocado por mãos que não afagam, transmitindo mensagens ditas por bocas mudas que não beijam, olhos que não vêem e corações que apenas batem mas provavelmente não sentem. Seus aposentos trancados têm um cheiro azedo de suor, chulé e mofo, por proibirem o sol de lá entrar e iluminar-lhes as mentes modernas. À noite, semanalmente, sedentos iguais NOSFERATUS, encontram-se em baladas, num ritual de ficar por alguns instantes, revezando-se num pescoço marmóreo e exaurido, e retornam sem paixão, sem afeto e sem norte.
Tantas modas voltam, mas, infelizmente, tenho a impressão que as praças não têm mais pistas apropriadas para o flerte (expressão caduca e estranha), mas para corridas ou caminhadas cronometradas , silenciosas, individualizadas, daqueles que visam melhorar a condição física pelo culto ao corpo, a despeito de haver ali alguém solitário que ainda hoje arrisca um olhar a partir do circulo externo... Ou será que a vida é que está sempre indo e nós é que, de fato, ficamos?
Crato, CE, 10/12/08.
Dr. João Marni de Figueiredo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A PRIMEIRA PEDRA

... E Narciso quebrou o espelho d água jogando, no fundo lamacento do lago, não apenas sua imagem, mas o respeito na vida a que teriam direito seus familiares, agora reféns da platéia circense de todo globo. Com seu gesto impensado, condenou a todos direta ou indiretamente envolvidos, a procurar em vão uma sombra onde ficar, em meio a um deserto de solidariedade e de compaixão. Não há onde se esconder e não há também água que alivie sua sede e sofrimento, apenas pedras arremessadas e fel na ponta da lança...

Começam a lamber as próprias feridas até os inocentes, por gerações seguidas, com o estigma daquilo que deveria ter ficado entre quatro paredes. Essas pessoas, em busca de ajuda e sem ter a quem recorrer, até parecem repetir incessantemente os versos da poetisa goiana Cora Coralina: “Bati na porta de um coração. /Bati, Bati. Nada escutei. / Casa vazia. Porta fechada, foi o que encontrei.”

É, parece que os amigos andam muito ocupados, fecharam suas vitrinas em que se minguaram o pão e o ungüento. A repercussão tem o tamanho do poder de quem erra e não do ato em si, pois duvidamos se seria grande, caso os envolvidos tivessem sido Chico Bento, Severina e Raimunda. Personagens existem entre nós desde escândalos cometidos em nome da fé, a políticos que se elegem e se reelegem com a pouca memória popular, impedindo terem uma vida melhor e mais justa, crianças e idosos.

É evidente que os protagonistas das cenas que ganharam o mundo saindo daqui, ruborizariam até Federico Fellini, (“La Dolce Vita” – 1960) e Gerard Damiano (“Deep Throat” – 1972), cineastas da sexualidade e do comportamento não convencionais.

Mas há inocentes nas famílias que precisam dormir em paz. Que não façamos mais barulho. Só para encerrar o que já é tão desgastante, fiquemos com as palavras de Steve Jobs, fundador da poderosa empresa APPLE, por ocasião de uma formatura da qual foi patrono: “O tempo de vocês está marcado; não o desperdicem vivendo a vida alheia”!

Pois bem, é provável que o céu já esteja modernizado, e os julgamentos ocorram agora “ON LINE!”!

Crato, CE, 04/02/09.
Dr. João Marni de Figueiredo
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domingo, 21 de dezembro de 2008

NATAL SEM OURO, INCENSO OU MIRRA


Foram tantas visitas que realizei a lares muito pobres nos sítios,com nossa equipe do PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA, tendo observado as pessoas no interior desses diminutos casebres de chão batido serem ainda capazes de sorrir com nossa presença, sem nenhuma vergonha ou constrangimento por não saberem mais o que vestir porque não sabem se estão nuas, sempre à procura de algo a nos oferecer (como se fôssemos algum deus), e crianças sentadas com os pratos entre as perninhas, de colher em punho, passando-nos a impressão de que o alimento pouco é que faz o tempero, deixando a certeza em mim de que Jesus jamais saiu da manjedoura...Que o natal é exatamente o nascimento continuado de cada uma dessas crianças que sobrevivem sem brinquedos, sem perus ou panetones, à espera tão somente de um ato de solidariedade e de respeito à condição humana. É impossivel distinguir dentre elas qual seja o menino Jesus!

Essas pessoas humildes dispensam árvores natalinas porque já têm cajueiros e mangueiras que frutificam, dispensam também Papai Noel, porque em sua enorme sacola não há e nem caberiam a dignidade de que precisam, mais coragem ainda para seguir em frente face às dificuldades, e a saúde que as levem até a velhice com qualidade de vida. Já lhes bastam a esperança e a fé inabalável em Deus. O que me fez lembrar a resposta da mãe de Casemiro de Abreu, quando este perguntou-lhe: ”...quem pode haver maior que do que o oceano ou que seja mais forte do que o vento, mãe?” -Sua mãe a sorrir olhou para os céus e respondeu: ”Um ser que nós não vemos é maior que o mar que tememos, e mais forte do que o mais forte dos ventos..É Deus meu filho!!!”

Feliz Natal para todos!

Joao Marni de Figueiredo
20.12.2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Os Guris da Rua Coronel Secundo



Didaticamente, a vida pode ser dividida em três fases: o passado - que já acabou; o presente - em extinção; e o futuro - mera expectativa. Sempre que a vida nos aborrece quando estamos já adultos, sentimos uma necessidade urgente de sorrir e aí recorremos ao passado, se tiver sido bom.
Felizmente, todos nós, da rua Coronel secundo, nos anos cinqüenta, dourados, mesmo os de poucos recursos, gozamos de uma infância feliz, pois tivemos o básico para acharmos a vida prazerosa: um teto, uma família, alimentação suficiente, ótimo ensino público e uma rua, berço e palco do talento de cada um.

Acordávamos cedo e nos recolhíamos pouco depois do anoitecer. Nada havia de mais interessante a fazer do que dormir e sonhar.

Quanto verde havia: o bosque (hoje a Praça Alexandre Arrais), as matas ciliares do rio Granjeiro (das piabas), a mata de Seu Jéferson e o Sítio Lameiro. Sob essas árvores, sombras queridas se foram e vozes se calaram. A beleza simples, suprema benção das coisas e das criaturas, encontramo-la na memória da infância, no areal do bosque e da nossa rua mais bonita, ainda descalça feito nós, local de matanças hoje inconcebíveis, de borboletas, com nossas camisas, e aos gritos de " alô boy, matalê um"!...

Que falta faz a lama e o cheiro desses lugares que pisamos e que nos inundaram até o espírito, a ponto de nenhum banho, ainda hoje, ser capaz de nos lavar. Vejo, admirado, que muitos meninos de agora não mancham as suas roupas com nódoas de caju... Que vida sem graça!

Nos reencontros dos amigos da rua não catamos os sinais de decadência do outro, mas procuramos amavelmente as marcas dos nossos pequenos pés na areia... Usamos a imaginação e viajamos ao tempo em que as águas do rio eram claras, onde lavávamos até nossas almas e voltávamos alegres e felizes pela rua da qual fizemos estribo para a vida.

Hoje as pessoas têm pressa. Não param mais para conversar, como fazem as formigas... mas nós da rua Coronel Secundo, não; pois sempre valorizamos o toque interpessoal, antenados que somos com base nos pilares da formação humana, quais sejam: o amor, o respeito e humildade, da grande família parquense pelo bom Deus.

O escritor João do Rio, em sua obra " A alma encantadora das ruas", faz uma citação belíssima: "...Eu amo a rua; e esse amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos nós. Nós somos irmãos, nos sentimos parecidos e iguais porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este sentimento impertubável e indissolúvel, o único que , como a própria vida, resiste às idades e às épocas".

Assim somos os filhos da Coronel Secundo: Os Bantim, Correia, Figueirêdo, Lóssio, Dantas, Siebra, Martins, Paletó, Chagas, Alencar, Barbosa, Matos, Policarpo, Abath, Pinheiro, Jamacaru...




Crato/CE, 12.11.2008.
João marni de Figueiredo

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

PERDAS


O psiquiatra francês David Servan-Schreiber disse certa vez que... “se há alguma vantagem em ficar frente a frente com a morte é que se compreende quanto a vida é preciosa.” Este enfrentamento revela que não se deve desperdiçar a chance de contribuirmos de alguma forma para a existência do outro- é isso que fica depois que se vai embora! É claro que ninguém está disposto a pagar pelas alvíssaras portadas pela Senhora da Foice. Mas convivemos com ela desde o começo dos tempos, quando alguém chorou pela falta do outro ser, tão próximo e querido. O homem, ao longo da evolução, tem-se libertado- pelo conhecimento- de muitos dos medos que lhe afligem, tais como os ligados aos fenômenos naturais: raios, trovões, tempestades, terremotos, vulcões, etc., mas ainda permanece hoje temerário do tempo, esse bicho que tudo come, esse monstro que irá tragando para sua enorme pança a quem amamos e até nossas lembranças. Aprendemos o que há de irremissível nas perdas, nas separações. Sabemos que não mais ficaremos juntos e que, separados pelo tempo, cada um de nós terá digerido a ausência. A todo instante naufragamos no mar desse tempo, entre as ondas de ganhos e perdas de todo dia, até percebermos estarmos sozinhos e ao abandono; trancados, mesmo do lado de dentro da vida, que é curta e, enquanto choramos, ela se vai, e finda também para nós.

Devemos ter pena da alma de cada um, ainda não chamada, que se debate para a vida. Então é suspirar, erguer-se, banhar o triste corpo, porque a alma não carece de banho, mas de luz!

Reflitamos sobre a razão pela qual no álbum da família não há fotos dos momentos de tristeza. Talvez seja um apelo para que sigamos em frente, mesmo que aquela SOMBRA continue a nos assombrar "per omnia saecula".

Jamais compreenderemos inteira e definitivamente os mistérios que envolvem o começo e o fim das vidas, nem os motivos que possam explicar serem elas breves ou longevas... Apenas surgem e se acabam, impondo um ultimato ao homem para que não se veja grande. O que permanece de positivo para a humanidade são as atitudes de cada um de nós em prol do outro. Isso os homens poderão também julgar, mas apenas Deus assina.

Aqui prestamos, nesta oportunidade, homenagem especial ao doutor humanitário Fábio Machado Landim, que se foi quase no dia dos médicos, carimbando nossas memórias e nossos corações.

Crato- Ce, 21.10.2008
João Marni de Figueiredo

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

AO ÓRGÃO RESPONSÁVEL ( Carta de Fernanda Young - Revista Cláudia, 30.06.07)

Caro Pênis,

Tenho notado você olhando torto para mim. Às vezes, basta eu chegar e você se levanta. acaso, você tem algum problema pendente comigo?
O fato de nós estarmos em lados opostos não nos faz inimigos. Ao contrário, guardo um espaço especial para você dentro de mim, e seria ótimo se pudéssemos nos unir em prol de algumas novas conquistas. Os atritos, como em qualquer relação, são normais e bem – vindos.
Você me acusa de se difícil, mas não conheço personalidade mais instável que a sua. Quando eu quero conversar, você se recolhe. Quando canso de tentar, você se anima. Quando finalmente penso entender aonde você quer chegar, você se coloca numa posição diferente.
Sei que a vida talvez lhe pareça mais dura, já que é de você que são cobrados rendimentos e desempenho. Mas o mundo não gira em torno de sua existência como você pensa. Diria até que, nas horas mais tensas, você sempre dá um jeito de ficar de fora. Até no momento em que sua participação se faz mais necessária, a continuidade da espécie, você se limita a entrar com metade da matéria prima e deixa o resto para lá.
Dizem que eu tenho inveja de você – mais inveja de quê, afinal? Você ,desculpe, está longe de ser bonito. Trabalha num ramo de atividade sem o mínimo charme: a remoção de detritos. Mora num lugar abafado, onde o sol nunca bate. Freqüenta locais escusos, de reputação duvidosa, em busca de um tipo de divertimento que já se encontra à mão, em sua própria casa. E aquele seu melhor amigo, convenhamos, é um saco.
Mesmo assim, quero frisar, tenho por você imensa consideração e simpatia. Mais que isso – sempre busquei a sua aprovação de alguma forma, atrás de sinais de que estaria lhe agradando. Você, por sua vez, nem sequer disfarça seu completo egocentrismo. Fazendo-se de sonso e sumido após satisfazer as suas necessidades.
Você se diz sensível, porém jamais se preocupa com o que o outro está sentindo. Quer apenas ocupar o seu espaço e atingir as suas mesmas velhas metas de crescimento. Deveria tentar aumentar suas expectativas, ampliar seus horizontes, investir na sua cultura. Qual foi a última vez que você viu um filme decente?
Sei que dificilmente vou conseguir abalar sua enorme auto-estima, mas, sob o meu ponto de vista, você não passa de um solitário, perdido em sonhos impossíveis e cercado por uma situação bastante enrolada. Acha-se o máximo, superextrovertido e revela-se um bobo alegre e com pinta de seboso. Um cabisbaixo baixinho carente, o tempo todo em busca de qualquer carinho.
Disponho-me a ajudá-lo, colega, caso você reconheça seus defeitos e fraquezas. Posso até te indicar um bom analista. Somente recuso a continuar a ser cúmplice na perpetuação de um equívoco.
Você não é melhor que ninguém, temos o mesmo tamanho nesta história- de fato, se você cabe em mim, sou necessariamente maior do que você.

Resposta enviada por mim á Fernanda Young:

RESPOSTA DO PHAULUS AO ÓRGÃO-METRÔ
(Dr. João Marni de Figueiredo)

Caríssima Vagina,

Está o côncavo para o convexo, a fenda para a broca e a maravilha mecânica da corrente para a catraca... Por que não aceitas a dura realidade?
Preferes a vida mole? Quando nos entendemos e é tão bom! Como és desconfiada, no preparo para o meu mergulho, já que a escuridão é tamanha, peço ajuda aos dedos, cego que sou. É tática de reconhecimento do terreno, pois há verdadeiros “Golias concorrendo”!
Na verdade, sou mesmo um ator, um Tony Ramos de tuas matas, visto que não finges só. Melhor do que quando voltas da depilação parecendo um soldado raso; por vezes um Hitler tirano, com teu bigodinho!
Mas a testosterona não quer nem saber, empurra-me em locas ora amplas – algumas têm até eco! -, ora estreitas, úmidas ou secas, de cheiro do Tietê, embora sejas a comidinha do rico e do pobre, do carnaval ao natal, não importando o preço do bacalhau! Não dá para segurar os vômitos!
Vingas-te de mim sujando-me de sangue e de outros fluidos de menos reputação. Desculpa-me por às vezes preferir à mão a ti, quando não me dás a devida atenção. Falas demais. Será que é porque tens quatro lábios, dois grandes e dois pequenos? Para que eu fique ereto basta que me toques, não precisas dizer nada e, se sou torto, é de tanto pender quando passas... Falas da minha moradia abafada... Risos!
Sou melindroso ante teu abismo, não grites comigo ou me deboches, senão recolho-me igual tartaruga. Estala os dedos, solta beijinhos, chama com carinho que ressurgirei exuberante! Não sejas tão orgulhosa assim, pois se meu amigo é um saco, o teu é um cu! Mas não comentes com ele, teu vizinho, que tantas vezes quebrou o meu galho!...
Entendo que já te decepcionei, mas a vida é assim mesmo, não há unanimidade. Hoje estás numa boa, já te troquei por quem nunca reclamou: fiofó de galinha, priquito de ovelha e buraco em bananeira...
Ou seja, esquece as mágoas, joga fora a arrogância, me adula agora e de sobra deixo as bolas de fora! Vamos aproveitar o momento, na velhice ficarás com orelhonas, todas engelhadas, assombrando a este amigo de outrora, hoje não mais de todas as horas!
Pede ajuda às pernas, escancara teu portão ao ouvires “abre-te Sésamo”!, chegou teu Ali Babá, os quarenta ainda virão, após meu descanso eterno, espero. É a ti quem mais quero, dá lembrança ao pinguelo!
Por fim, meu muito obrigado e reconhecimento: “Senhora, os filhos vieram para pagarmos com o sofrimento o prazer que tivemos com o fazimento. "Devirilhas” Ter tido comigo mais contato. Um beijo carinhoso, molhado e demorado do teu pênis.