quinta-feira, 4 de setembro de 2008

DISCURSO DE POSSE NA CADEIRA N. 27 DO ICC - INSTITUTO CULTURAL DO CARIRI

Ilustríssimo senhor presidente e demais componentes da mesa diretora.

Meus amigos, boa noite!

Agradeço-lhes de coração por suas presenças nesta cerimônia. Sinto a alegria e a felicidade de meu pai junto a nós neste momento e quero parabenizá-lo pelo dia de hoje, em que faria 81 anos.
Lembro-me, ainda adolescente, do dia em que mamãe contou para mim, que uma cigana havia dito na minha infância que eu seria um grande homem. Papai, sempre irreverente, concordou que ela acertara, haja vista o meu tamanho!
Pelo sim, pelo não, adivinhações à parte, aquela cigana devia ser legítima, pois hoje, agora, de fato sinto-me um grande homem!
Seqüenciar o Dr. Elysio Gomes de Figueiredo na cadeira da qual é patrono, no Instituto Cultural do Cariri, não passa de mera coincidência, seja por ter sido médico, biotipicamente longilíneo ou ter Figueiredo no sobrenome.
É indiscutível e indescritível sua grande inteligência, tanto literária quanto médica. Numa comparação simples, seria como o vôo do beija-flor e o do bruguelo de pombo...
O nosso ilustre senhor nasceu no Crato, no dia 02 de fev. de 1892, filho do Dr. Gustavo Horácio de Figueiredo (Juiz de Direito) e de Dona Maria Gomes de Matos Figueiredo. Formou-se em medicina na Bahia, em 1916, tendo sido o orador de sua turma.
De volta, exerceu também as funções de professor de física e química no Ginásio do Crato, além de ter sido ali Inspetor Federal de Ensino por trinta e cinco anos.
De quebra, falava cinco idiomas além do português: inglês, francês, italiano, espanhol e grego. Orador criativo, inflamado, de estilo verbal e dialética irretorquíveis.
Faleceu em Crato, em 17.10.1975, ano em que, por coincidência também, ingressei na faculdade de medicina. Seria como numa corrida em que se passa o bastão. Hoje tornamo-nos confrades, pelo que sempre o incluirei em minhas preces junto a Deus.
Vocês não fazem idéia de quão feliz encontra-se este garoto!
Quando recebi a indagação em forma de convite, para ocupar a cadeira pertencente ao eminente Dr. Elysio Gomes de Figueiredo, o primeiro sentimento foi de incredulidade, mas veio-me a certeza, visto que os seus constituintes são pessoas de bem, vibrantes, talentosas e sérias, pois imortais são.
Assim, refeito do susto, num passe de mágica, regredi à infância, como faz todo homem quando lhe convém.
Lá, vi-me preocupando a meus pais, por achar prazerosa a bola e não o livro. Sortudo, por eles haverem sido atentos e visionários, fui persuadido a estudar em Barbalha, no magnífico Colégio Santo Antônio, - hoje a faculdade de medicina – com dois campos de futebol.
Só não me revelaram sobre a disciplina e que o salvo-conduto para as folgas dos fins de semana concedidas quinzenalmente, seria o boletim de rendimento escolar e a vistoria na caderneta do sensor ( individuo terceirizado pelo colégio, com bagagem cultural e moral para anotar delitos...) Meu Deus!
O ano era 1962. Com a ajuda de anjos em forma de professores, fui aos poucos despertando interesse pelos estudos. Quem não se enquadrasse provaria dos nós dos cordões da Ordem Salvatoriana!
Após três anos retornei para o Colégio Diocesano, em Crato, e o hábito de estudar permaneceu. Mais uma vez despedi-me da família em 1969, quando o Recife tornou-se o novo desafio.
Após doze anos, agradecido a Deus, ao meu pai Cândido Figueiredo, à minha mãe Maria Olga, ao Ceará e Pernambuco aqui chegamos, minha esposa Maria de Fátima, eu e nossos três filhos dourados feitos troféus: Monalissa, David e Leonardo. Na bagagem, três títulos Universitários: Fátima com Enfermagem (Universidade Federal de Pernambuco) e eu com Psicologia (Univ. Federal de Pernambuco- 1976) e Medicina (Univ. de Pernambuco – FESP – 1980), além de livros, panelas e muita esperança! Não compreendo como pode alguém não acreditar em Deus!
É provável que ingresse no Instituto Cultural do Cariri não pelos títulos universitários ou como cronista esporádico, mas pelas inúmeras cartas endereçadas à minha Fátima, entre os anos de 1969 e 1973, época do namoro, as quais convenceram a uma linda mulher, unir-se a este cabra feio!
Ano passado, em abril, por ocasião de uma perda para Tânatus, de uma criança grave, num plantão noturno, chamou-me a atenção a declaração de amor contida, verdadeira, da mãe pelo filho inerte. Não houve escândalo ou blasfêmia. Aquelas doces palavras de despedida e entrega convidaram-me ao recolhimento, em lágrimas. Foi quando então, na madrugada, escrevi minha primeira crônica, “A Dona da Luz”.
Por bênção, nosso querido amigo Olival Honor a leu e, generoso que é, achou que eu deveria continuar a escrever, trazendo-me hoje até aqui, onde sinto a simpatia e o acolhimento de todos vocês com as boas vindas, excelentes anfitriões que são.
Prometo-lhes honrar o Instituto Cultural do Cariri, em nome do Dr. Elysio Gomes de Figueiredo, dos meus pais, da minha família como um todo, dos amigos e dos agora colegas que compõem esta casa.
Prometo-lhes também não permitir que a vaidade ocupe o meu coração, entendendo que esse chamamento veste a toga do compromisso com a educação, enxergando em cada criança dessas nossas terras um membro futuro deste time.
Sonho que o sucessor deste que assume agora, seja também um chorão! Concluo dizendo-me possuído pelos melhores sentimentos.

Obrigado,
João Marni de Figueirêdo.

3 comentários:

João Marni disse...

-Meu Caro Baixinho, Será que sobrou orgulho nesta família para dividir com os amigos?Não declino do meu direito como amigo.Amizade pressupões ônus e bonus.No nosso caso, o ônus fica por conta da ausência,da falta de comunicação mais frequente,mas nem por isso a amizade sucumbe.No máximo hiberna, pronta para brotar à primeira gota de contato,mesmo espiritual.O bônus fica por conta da alegria que sentimos com o sucesso e progresso dos amigos, do orgulho de podermos nos sentir amigo e portanto participante dessas alegrias.Méritos não lhe faltaram para receber o reconhecimento dos agora pares da prestigiosa entidade fundada pelo inesquecível J.de Figueiredo que continua a preservar o status de cidade de cultura ao nosso Crato.Assim,amigo receba meu abraço fraterno e votos de de uma ''imortalidade''produtiva e criativa que se constitua um legado da nossa geração aos nossos descendentes.Um beijo em Fátima,David,Léo,Mona e demais familiares Eberth

João Marni disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Elízio Figueiredo É Fato disse...

Boa Tarde!

Em virtude de um evento nordestino aqui em Armação dos Búzios, município do Estado do Rio de Janeiro, o qual escolhi como residência no ano de 1991, resolvi levantar detalhes da vida de meu avô paterno DR. ELYSIO GOMES DE FIGUEIREDO. É bem verdade que pelos registros encontrados na internet no ano de 2007 (possivelmente) editei em minha revista matéria a seu respeito.

Sou filho de José Gomes de Figueiredo - Herói da Segunda Grande Guerra com participação na tomada de Monte Castelo na Itália.

Estive em Fortaleza e Crato, com 4 anos de idade e em Fortaleza comemorei o aniversário de 5 anos, quando retornamos para o rio de Janeiro e não mais voltamos. Sempre fomos ligados a família de minha mãe, gaúcha, o qual meu avô materno era oficial e com proximidades ao presidente Getúlio Vargas.

Hoje tento dados e fotos para um registro mais detalhado, e na esperança de poder ter encontrado uma fonte de informação, me coloco ao aguardo mui,

Atenciosamente

Elízio José Gomes de Figueiredo
Jornalista e Fotografo
Editor e Redator
Teólogo